Abrir menu principal
Os funerais de Aquiles
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Foi numa urna de oiro, cinzelada
Pelo buril divino de Vulcano,
Que a mãe de Aquiles veio do Oceano
Guardar a cinza heróica e imaculada
 
Do filho de Peleu: a desgraçada
Viu misturar-se o lúgubre alarido
Dos Imortais à lágrima chorada
No ilustre pó do semideus vencido.
 
Jaz o Helesponto. — Ainda ouve-se a grita
Das deusas; chora-o o jovem Baco; aflit
Por ele, inda hoje as queixas vãs desata
 
Tétis, — princesa que dragões atrela
À concha ebúrnea do seu plaustro, — aquela
Que o mar esmaga aos seus dois pés de prata.