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Os superbum
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Dizem que á mais audaz e mais sublime
Negar, — que o duvidar é triste e feio:
Se eu não descreio, se também não creio,
Com que palavra acusarei meu crime?
 
Vime sou, passa o vento, e dobra o vime:
Eu amo, eu sinto, eu sofro, eu não odeio,
E vou de céu em céu, de enleio em enleio,
Sem ver quem busco ou ver quem me redime.
 
Como é bom vosso orgulho, e um tal repouso!
Eu não espero, cínico e perverso,
Tirar da dor da vida o eterno gozo:
 
Eu sou triste, eu sou um vencido, e imerso
Nas sombras ouço o Nada temeroso...
Vós... tendes Deus, e as chaves do universo...