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98 | 40 anos no interior do Brasil: aventuras de um engenheiro ferroviário

Ele continuava subindo e descendo as coxilhas! E o sol castigando. O infeliz ainda fez isso mais três vezes — até que eles o avistaram. Uma alegria selvagem e a caçada começa. À rédea solta o laço é atirado, mecanicamente se arruma a corda na mão esquerda, enquanto a direita só segura a laçada, ou armada, e duas pequenas argolas no pulso. A armada é tão grande que ela arrastaria no chão se estivesse parada, mas o ritmo do galope do cavalo e o rápido girar do pulso com o braço para cima formam um movimento circular sobre a cabeça do cavaleiro. Os cavalos bafejando cada vez mais perto da vítima. Estes animais de luta estão acostumados a caçar, quando os cavaleiros precisavam perseguir o gado fugitivo, e davam o seu melhor quando o laço girava sobre suas cabeças. O desgraçado corria segurando ainda o pedaço de vidro com o qual pretendia cortar o pulso. Ele virou quase toda a cabeça para trás e seus saltos se tornaram hesitantes. De repente um leve zumbido, uma sombra, um terrível toque e o laço o capturou, derrubando-o, e prendendo-o sobre o ombro e o corpo. Mecanicamente tentou erguer o impiedoso laço e cortar a corda com o pedaço de vidro, mas em vão. O corpo voou pelo ar, pois o cavaleiro virou o cavalo e começou a arrastar a todo galope pelo campo aquela infeliz massa, que já fora um homem. Então ele para. O segundo caçador de gente se aproxima, salta do cavalo e tranquilamente desembainha o enorme facão, e golpeia a jugular da vitima, então solta o laço, vê os cortes causados pelo vidro e diz para o companheiro: “Esse condenado cortou o teu melhor laço!”, virou se e ainda deu mais um chute no corpo enquanto o sangue escorria e formava uma poça marrom no chão. O laço foi enrolado, preso em uma tira na parte de trás da sela, fizeram um cigarro de palha e troteando voltaram para o acampamento.

O corpo ficou só na grama marrom, o sol queimava e já aparecia a uma altura vertiginosa o primeiro urubu, voando em círculos.