Carmen, e tres filhos d’ella, n’um casebre da rua da Fé.

Eu fui lá n’um domingo. Quasi não havia moveis; a bacia da cara, a unica, estava entalada no fundo rôto da palhinha d’uma cadeira. O Xavier toda a manhã deitára escarros de sangue pela bocca. E a Carmen, despenteada, em chinelas, arrastando uma bata de fustão manchada de vinho, embalava sorumbaticamente pelo quarto uma criança embrulhada n’um trapo e com a cabecinha coberta de feridas.

Immediatamente o Xavier, tratando-me por tu, fallou-me da tia Patrocinio... Era a sua esperança, n’aquella sombria miseria, a tia Patrocinio! Serva de Jesus, proprietaria de tantos predios, ella não podia deixar um parente, um Godinho, definhar-se alli n’aquelle casebre, sem lençoes, sem tabaco, com os filhos em redor, esfarrapados, a chorar por pão. Que custava á tia Patrocinio estabelecer-lhe, como já fizera o Estado, uma mesadinha de vinte mil reis?

— Tu é que lhe devias fallar, Theodorico! Tu é que lhe devias dizer... Olha essas crianças. Nem meias teem... Anda cá, Rodrigo, dize aqui ao tio Theodorico. Que comeste hoje ao almoço?... Um bocado de pão d’hontem! E sem manteiga, sem