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A ILUSTRE CASA DE RAMIRES

E que diabo! não se trata de pecunia, mas d’uma grande renovação social... E depois, menino, a litteratura leva a tudo em Portugal. Eu sei que o Gonçalo em Coimbra, ultimamente, frequentava o Centro Regenerador. Pois, amigo, de folhetim em folhetim, se chega a S. Bento! A penna agora, como a espada outr’ora, edifica reinos... Pense você n’isto! E adeus! que ainda hoje tenho de copiar, para lettra christã, este estudo do Henriques sobre Ceylão... Você não conhece o Henriques?... Não conhece. Ninguem conhece. Pois quando na Europa, n’essas grandes Academias da Europa, ha uma duvida sobre a Historia ou a Litteratura cingaleza, gritam para cá, para o Henriques!

Abalou, agarrado ao seu rolo e ao seu tomo — e Gonçalo ainda o avistou, na porta e claridade da tabacaria Nunes, agitando o braço esguio d’Apostolo deante d’um sujeito obeso, de vasto collete branco, que recuava, com espanto, assim perturbado no quieto gozo do seu grosso charuto e da doce noite de Maio.

O Fidalgo da Torre recolheu para o Bragança, impressionado, ruminando a idéa do Patriota. Tudo n’ella o seduzia — e lhe convinha: a sua collaboração n’uma Revista consideravel, de setenta paginas, em companhia de Escriptores doutos, lentes das Escolas, antigos Ministros, até Conselheiros d’Estado: