A ILUSTRE CASA DE RAMIRES
495

Barrôlo recuou, negou com estrondo, como quem bruscamente fecha uma porta. Elle? Não! Não sabia nada! Só a Eleição! Na Murtosa votação tremenda...

— Ah! pensei, murmurou Gonçalo. E a Gracinha?

— A Gracinha tambem não!

— Tambem não quê, homem? Como está? Simplesmente como está?

— Ah! está com as Louzadas. Ha mais de meia hora, aquellas bebedas!... Naturalmente por causa do Bazar do Asylo Novo... Esta massada dos Bazares... E ouve lá, Gonçalinho! Tu ficas até Domingo?

— Não, volto ámanhã para a Torre.

— Oh!...

— Pois dia d’Eleicão, homem! devo estar em casa, no meu centro, no meio das minhas freguezias...

— É pena, murmurou o Barrôlo. Logo se sabia juntamente com a Eleição... Eu dava um jantar tremendo...

— Logo se sabia, o quê?

O Barrôlo emmudeceu, com outro riso nas bochechas, que eram duas brazas gloriosas. Depois novamente gaguejou, gingando:

— Logo se sabia... Nada! O resultado, o apuramento. E grande brodio, grande foguetorio. Eu, na Murtosa, abro pipa de vinho.