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ntia.

Os grandes canais desse tráfico eram outros. Já eu disse. Mas não será ocioso repeti-lo.

Era, primeiramente (à tout seigneur tout honneur), o Ministério das Relações Exteriores, a maior barraca da feira, a comprar e vender, não só aqui, mas no estrangeiro, e a que o privilégio de sacar sobre a nossa delegacia em Londres ensanchava, nas suas operações, facilidades invejáveis.

Era o ínvio e insondável Lloyd, com os meandros, escaninhos, solapas e encobertas do labirinto da sua administração, agora, ainda bem, sujeita a um começo de saneamento, que, desde o honrado Sr. Barbosa Lima, não vai saindo sem espinhos aos seus iniciadores.

Era o abismo das verbas secretas, em cuja aplicação já se não quer reconhecer ao Parlamento o direito de meter o nariz, nem mesmo quando o mau cheiro de imoralidades notórias tresande ao longe, e da política nacional passe a infestar a internacional.

Eram os empregos inúteis e ociosos, as sinecuras de todas as espécies, os farnientes de todas as marcas, as folhas de encostados, os gabinetes dos ministros, as invenções de consulados, as ajudas de custo, as comissões de passeio com vencimentos em ouro no estrangeiro, as concessões, contratos, empreitadas, tarefas, licenças, acumulações, isenções