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acusadores?

Pois então, se, quando nós argüimos os nossos costumes políticos e administrativos de corrupção ou imoralidade, não falássemos verdade segura e sabida, não tivéssemos por nós a realidade evidente e notória, esses argentários estrangeiros, esses administradores estrangeiros, esses elementos da opinião conservadora aqui e no estrangeiro, iriam bandear-se com as oposições, a que nenhuma comunhão de interesses os liga, para as servir na divulgação de caprichosas falsidades, inimizado-se com as administrações de boa nota, em quem os seus direitos não houvessem encontrado agravos, e debaixo de quem os seus interesses prosperassem com o prosperar geral dos do país? Essas vozes, conservadoras e práticas, ordeiras e desinteressadas em nossas contendas intestinas, vozes de elementos que, pelo mundo todo, puxam, de sua natureza, para o governo e o princípio da autoridade, — essas vozes emanam da experiência dos que as levantam, e surgem do seio de interesses honestos, conculcados ou maltratados nos seus direitos. São, portanto, a linguagem dos fatos, conhecidos e maneados por quem melhor os podia manear e conhecer, interpretados e argüidos por quem mais sobre seguro os poderia entender e argüir.

São homens que, postos em contato com a pública administração pelos vínculos regulares da sua dependência, pelas relações naturais dos serviços, em que presidem, com as autoridades centrais, estaduais, ou locais, trataram amiúde e de perto ministros, governadores, intendentes, senadores e deputados, freqüentaram as secr