animava a revelar. Já tinha sucedido, durante que ela tocava, distrair-se o leão, e com a atenção presa no pedal, nem ouvir a peça de música.

Horácio a amava sem dúvida; já lhe tinha dado provas de que sentia por ela uma paixão veemente. Ele, o rei da moda, o festejado conquistador, para quem todas as portas e todos os corações abriam-se como a gruta encantada de Aladino, a uma só palavra; ele ali estava cativo da vontade dela, e atado ao seu carro triunfal. Que prova mais eloqüente de profundo amor, do que essa submissão espontânea do altivo leão?

A força nunca se revela tanto como na posse de si mesma, no vigor com que se domina. Hércules, fiando aos pés de Onfale, é o último canto, o epílogo sublime da epopéia da forca humana. Exterminando a fera, a natureza e até os deuses, Hércules foi grande; abatendo a si mesmo, foi maior, porque venceu o vencedor.

Amélia compreendia que homenagem eloqüente à sua beleza havia naquela adoração do elegante cavalheiro; sentia-se orgulhosa com esse amor, que tantas mulheres lhe invejavam; considerava-