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ÁS MULHERES PORTUGUÊSAS
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A mulher, como o homem, nasce para si mesma. Tanto um como o outro fazem parte da sociedade, de que são factores igualmente imprescendiveis, que se não comprehenderia nem sequer existiria sem a união dos dois sexos, mas na qual individuos isolados podem coexistir igualmente, decentes, honestos e respeitaveis — quando muito pagando maior contribuição, como querem alguns economistas francêses...

Quando digo que não temos nada com a vida sentimental de cada um, não quero dizer que a mulher case por ambição monetaria ou intelectual, se é exatamente para a livrar dessa baixesa que a desejamos independente pelo seu trabalho, quando o não seja pela fortuna, e mais independente ainda pela razão que a torne um ente de consciencia justa.

Diz V. Ex.a que é o amôr que salva a mulher?!...

Efectivamente, por muito amar se salvou uma — a biblica Magdalena.

Mas não é desse amor que se trata, dirá, é do amôr puro e honesto da mulher honesta por

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