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branco colocada à porta, como de costume; a alguma distância seguiam D. Luísa de Paiva conversando com o pai de Inesita. Era este, D. Francisco de Aguilar, nobre castelhano, senhor do engenho de Paripe, homem principal, como se dizia naquele tempo.

Alto, robusto, ainda verde e bem conservado, D. Francisco era o verdadeiro tipo do hidalgo andaluz. Orgulhoso de seu sangue, de sua pátria e de seus cabedais, altivo no trato dos que julgava inferiores, seco nas maneiras, tinha contudo a verdadeira nobreza, que a educação e o hábito podem apurar, mas não é o privilégio dos brasões, pois a dá o coração; sabia ser grande e generoso quando os prejuízos de fidalguia não se opunham aos impulsos de sua alma.

Elvira e Inesita apressando o passo chegaram à pia, onde os dois amigos já as esperavam; mas D. Fernando aproximara-se no mesmo momento, e tomando água na palma ofereceu-a cortesmente às duas meninas.

Inesita hesitou; tímida como era, não teve ânimo de recusar; embebendo a pontinha dos dedos alvos e delicados, ia levá-los à fronte, quando viu o olhar de Estácio; a pobre menina estremeceu e sem saber o que fazia, deixou cair o braço desfalecido.