XX

Mil padre-nossos e mil ave-marias.

Levantei os olhos ao ceu, que começava a embruscar-se, mas não foi para vel-o coberto ou descoberto. Era ao outro ceu que eu erguia a minha alma ; era ao meu refugio, ao meu amigo. E então disse de mim para mim:

— Prometto rezar mil padre-nossos e mil ave-marias, se José Dias arranjar que eu não vá para o seminario.

A somma era enorme. A razão é que eu andava carregado de promessas não cumpridas. A ultima foi de duzentos padre-nossos e duzentas ave-marias, se não chovesse em certa tarde de passeio a Santa Theresa. Não choveu, mas eu não rezei as orações. Desde pequenino acostumára-me a pedir ao ceu os seus favores, mediante orações que diria, se elles viessem. Disse as primeiras, as outras foram adiadas, e á medida que se amontoavam iam sendo esquecid