141 DOM JOAO VI NO BRAZIL

cia-se muito mafs entretanto em Santa Catharina e no Rio da Prata, pela via de Sao Paulo, do que pelo caminho que do centre conduzia a Bahia.

A fama do fausto da Bahia transpoz os limites portu- guezes e d elle chega a encontrar-se o echo nos trabalhos philosophicos do abbade Raynal, ao mesmo tempo que da indolencia da populagao amolledda pelo bem passar. Os habitantes abastados, conta imaginosamente mas nao menti- rosamente o famoso escriptor, usavam de magnificas mobi- lias e cobriam-se de joias, quando outras nao fossem sob a forma de cruzes, medalhas, rosarios e bentinhos, vestindo mesmo de gala os escravos que os transportavam nos seus palanquins cobertos de velludo e fechados com cortinas de seda. Tollenare, testemuha presencial, falla de tudo isso, das damas reclinadas nas suas liteiras, das negras carregadas de ouro, com suas camizas de cambraia bordada, suas saias.de algodao de ramagens, seus turbantes na cabeca, de uma vida muito original, muito sensual e muito aprazivel passada n uma cidade pittoresca e em lindos arrabaldes. O francez nao tem palavras bastantes para enaltecer a belleza do Re- concavo, que appellida de romantico, descrevendo-o com deleite igual aquelle com que o percorria, com suas pequenas angras, seus penhascos e grutas sobre que esvoagavam bandos de gaivotas, sua vegetagao frondosa recobrindo ate os flan- cos dos rochedos, sua navegacao muito animada de pesca- dores nos seus barcos, baleeiras e canoas de transporte de viveres e mercadorias.

A populaqao era muito variada e o numero dos brancos inferior ao das outras raqas. Raynal, cujas estatisticas sao menos que problematicas, calculava para a cidade 40.000 brancos, 50.000 indios e 68.000 negros: queria elle dizer

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