250 DOM JOAO VI NO BRAZIL

lecimento de Barca e desgostoso com as intrigas de que estava sendo alvo, retirou-se para uma casinha na Praia do Fla- mengo, entao um verdadeiro arrabalde de recreio, e dedi- cou-se a litteratura, morrendo tristemente em 1819. Maler, que era um antigo emigrado de 1792, detestava cordialmente Lebreton, bonapartista conhecido e que como tal fora pri- vado em Franqa do sen cargo perpetuo na reorganizagao do Institute : nem foi com o applauso d elle que a Academia Bra- zileira se delineou no Rio sob a direcqao de ex-secretario da Seccao de Bellas-Artes de Pariz. No Rio conservou o repre- sentante francez constantemente a vista sobre o seu compa- triota emigrado, accusando-o de conservar na patria rela- goes criminosas e suspeitando-o de receber cartas e boletins redigidos n um espirito de partido cego e odiento. ( I ) In- felizmente, segundo refere, nao podia Maler surprehender essa correspondencia porque a protegia o barao de Sao Lou- rengo, cuja influencia era tao consideravel.

O gravador Pradier partira entretanto para Franca, aiim de proceder em pessoa a execugao das gravuras que ti- nham de vulgarizar alguns dos quadros retratos do Rei e do Principe, embarque das tropas para Montevideo, des- embarque da Archiduqueza Leopoldina, acclamagao de Dom Joao VI com os quaes ia Debret preenchendo suas funccoes officiaes. Ao mesmo tempo augmentava o pintor da corte seus proventos com os pannos e scenarios que fazia para o theatro de Sao Joao e com a marcagao dos bailados allegori- cos imaginados pelo emprezario d essa sala de espectaculos para festejar, mediante pingues compensates do bolsinho do soberano, os anniversaries reaes e os acontecimentos memora- veis da dynastia e da monarchia.

��(1) Corresp. no Arch, do Min. dos Neg. Estr. de Franga.

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