986 DOM JOAO VI NO BRAZIL

de jardim, com um grande e bem moldurado painel encer- rando os retratos de Dom Joao e de Dona Carlota encimados por um genio o da concordia provavelmente e mais abaixo, sob a protecgao do hymeneu coroado de rosas, outro painel com os retratos dos noivos. Descreve miudamente o chro- nista os pedestaes de bem fingida pedra dos medalhoes, os emblemas, os escudos, os versos allegoricos, os golphinhos, os vasos de f lores postos no alto da estructura, e a impressao que nos fica de todo esse complicado vergel architectonico e a de uma balaustrada "com bambolinas de velludo carmezim com forro de arminho."

Do drama Triu?npho da America dado na recita de gala, nada nos permitte hoje julgar, mas as dangas de Afri- canos no terreiro do Pago "com estampidos de gyrandolas e fogos imitando salvas de artilheria e fogos rolantes de mos- quetaria", misturados de rodas e valverdes de Sao Joao, e as cavalhadas de mascarados em quatorze pares com divisas encarnadas e azues sob forma de listoes pendentes do hom- bro, precedidos de trombeteiros montados, e trotando, galo- pando, caracolando, com tochas na mao, depois esgrimindo e descarregando pistolas, deviam produzir uma sensagao mixta de quadrilha de circo e marcha nupcial allema.

O cumulo do burlesco attingiram, porem, as festas, commemorativas ainda da boda, celebradas mezes depois, e que de certo procrearam o carnaval fluminense. Duraram sete dias na praga do Campo de Sant Anna e, para amostra do que foi o desfilar de carros allegoricos, basta referir que o primeiro, o dos mercadores, figurava um monte coroado pela estatua da America de arco, aljava, cocar e saiote de plumas, cercada de indios, quadrupedes e passaros assomando dentre as hervas e flores, donde tambem brotavam esguichos

�� �