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«Uni o meu fado,
«Já tão desgraçado,
«Ao fado scismado
«Do meu Trovador!»


Rio de Janeiro. — 18 de Janeiro de 1849.




AMO O SILENCIO DA NOITE!


Amo o silencio da noite,
O azul escuro do céo,
As densas nuvens errantes,
E seu pranto que verteu:
Então a terra se calla
E o mar bravio cedeu
E o negro mocho agoureiro
O seu canto emmudeceu.

Amo o silencio da noite,
Quando suave instrumento,
Nest’hora faz olvidar
Agro — passado tormento;
Quando leve sussurrando
Fresca aragem, brando vento,
Apressurado nos traz
Algum novo pensamento.