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ESPUMAS FLUCTUANTES


É a hora em que fugindo aos raios da esplanada,
A!ndígena, a gentil matrona do deserto,
Amarra aos palmeiraes a rode mosqueada,
Que, leve como um berço, embala o vento incerto...

Então ella abandona-lhe ao beijo apaixonado
A perna a mais formosa — o corpo o mais macio,
E as pálpebras cerrando, ao filho bronzeado
Entrega um seio nú, moreno, luzidio.

Porém d′entre os espatos esguios do coqueiro,
Do verde gravata nos cachos reluzentes,
Enrosca-se e deslisa um corpo sorrateiro
E desce devagar pelos cipós pendentes.

E desce... e desce mais... á rede já se chega...
Da Índia nos cabellos a longa cauda some...
Horror! aquelle horror ao peito eis que se apega!
A baba — quer o leite! — A chaga — sente fome!

O veneno — quer mel! — A escama quer a pelle!
Quer o almíscar — perfume! — O immundo

quer — o bello!
A língua do reptil — lambendo o seio imbelle!..,
Uma cobra — por filho... Horrível pesadelo!...