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ESPUMAS FLUCTUANTES


A açucena, por criança,
Junta os dedos, reza e ri;
A palmeira larga a trança,
Reza nua como a huri.

Pelo sipó solitário
Em fio o sereno cae,
Como as bagas do rosário
Da íilha que chora o pae.

A ventania, que embocca
Pela serra colossal,
É organista que toca
Nos siphões da cathedral.

(Jue fanatismos divinos
Nas lapas do campo alvar!
Da onça os olhos felinos
Dizem rezas... ao luar.

lia luzes phosphorescentes
Accesas pelos mameis...
São as larvas penitentes
Rezando pelos fieis.

Monstro e anjo a noite agrupa
No pedestal da oração...
Quem sabe se a catadupa
Bate nos ])eitos do chão?