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Brilha a meus pés das ondas o espelho,
Uma luz nova attrahe-me a novas praias.

 

Carro de fogo para mim fluctua
Com ligeiro oscillar. Sinto-me prompto
Por novo trilho à penetrar o Ether,
Té á 'sphera da pura actividade.
Este alto viver, prazer de Deuses,
Verme ind'ha pouco, julgas tu mer'cel-o?
De certo, ousa sómente desta terra
Ao adorado sol voltar as costas!
Ousa romper com energia ardente
As portas que tremendo os mais evitam!
Agora é tempo de provar com factos,
Que dos Deuses não cede á magestade
A dignidade do homem, arrostando
Com essantro terrivel em que a mente
De si mesma a tormento se condemna,
Té a passagem penetrando estreita,
Em torno a cuja boca ruge o inferno;
E ousando transpol-a hardidamente,
Embora em risco de passar ao Nada.

 

Vem tu agora, crystallino calix,
Teu velho estojo para sempre deixa,
De mim ha tantos annos olvidado!
Nos paternos festins brilhaste alegres,
E os convivas sisudos excitaste,