como a do melhor cavalleiro? Bons escudeiros e homens d’armas da minha hoste, por onde andaes derramados? Dormis por vossas honras e solares? O povo vos acordará como me acordou a mim; bramirá como os lobos da serra ao redor de vossas moradas; saltear-vos-ha no meio de vossos banquetes, por entre o ruído de vossos folgares. No ardor de vossos amores dir-vos-ha:—­desamae!—­Elle ousa já dize-lo a seu rei e senhor... Oh desgraçado de mim, desgraçado de mim!”

“Não queres, pois, deixar-me entregue á minha estrella?—­disse D. Leonor, com voz entre de chôro e de ternura, abraçando pelo pescoço o pobre monarcha, e chegando a sua fronte suave e pallida ás faces afogueadas de D. Fernando, que n’uma especie de delirio olhava espantado para ella.

“Não, não! Viver comtigo, ou morrer comtigo. Cahirei do throno, ou tu subirás a elle.”

Um sorriso quasi imperceptivel se espraiou pelo rosto de Leonor Telles, que, recuando e tomando uma postura resoluta e ao mesmo tempo de resignação, proseguiu com voz lenta mas firme:

“Então resta o fugir.”

“Fugir!”—­exclamou elrei. E esta palavra só era mais expressiva que narração bem extensa