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ficarás gravada como ele te veja pela última vez no momento do beijo da despedida; aparecer-lhe-ás no espírito como te tenho agora defronte dos meus olhos — com o corpo ainda não deformado como estará daqui a poucos meses. Por enquanto, Palmira, a gravidez te não prejudicou a beleza, ao contrário: vai bem ao teu rosto essa cor misteriosa e pálida e essa tristeza de sorrir; não te fica mal ainda essa languidez do andar, como essa vaga expressão que tens nos olhos e nos gestos. Mas, quando o teu feto atingir ao seu último período de gestação, sabes tu, minha filha, como estarás diferente e como serás outra? — abatida, desbotada, sem cintura, com os pés inchados, a cara intumescida, as pernas trôpegas, o ventre enorme, e o estômago em revolta, o que seguro te produzirá engulhos e mau hálito!...

Palmira interrompeu o seu silêncio, sem interromper o seu olhar, para responder com um suspiro profundo:

— Ora! meu marido me amará de qualquer modo!... Não faço questão de ser bonita para ele!...