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olhos e lhe despejou um filho nos braços! Bem vês que não é a mesma coisa!

— Não deve ser tanto assim! Mamãe exagera com certeza!

— Exagero?! Sabes lá que impressão deixa um parto ao homem que o assiste?... Impressão que escandaliza os olhos, os ouvidos e o olfato! Sangrento drama, que comove e repugna! que faz dó e faz náuseas! Nele a mulher perde inconscientemente a noção do seu mais cativante e natural instinto, a sua única superioridade sobre o homem, o seu único meio de dominá-lo e prendê-lo — o pudor!

No parto, em presença do esposo amado, o pudor, como todas as outras seduções da mulher, desfazem-se-lhe na lama infecta e generosa do seu sangue de mãe, para só prevalecer o filho que, de um salto, imediatamente, se apodera do principal lugar até aí ocupado por ela no coração do marido. E este, embriagado com a felicidade daquele novo amor, começa desde então a viver só em reviver no entezinho recém-nascido e melindroso, que é agora todo o encantamento do seu lar; enquanto a mulher, ainda mesmo