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olhos de Palmira a minha superioridade sobre ele, fingindo até respeitá-lo e temê-lo, mas só pelo receio de que a compreensão justa da verdade viesse a prejudicar o juízo que minha filha mantinha com respeito ao valor moral de seu marido. Em uma palavra — receava que ele se amesquinhasse aos olhos dela.

Convém notar que Leandro, depois que aceitara, resmungando, a minha ditadura de sogra intransigente, começou a ter impertinências e rabugices de uma verdadeira criança. Ia ao ponto de fazer manha, para que a mulher o consolasse com carinhos e se fizesse zangada, de mentira, contra mim, fingindo-se revoltada e afetando indignação nas suas palavras, como a ama que, para engodar o bebê, diz injúrias à cadeira em que ele por acaso deu uma pancada com o corpo.

Nestas coisas de dentro de casa, no segredo do cofre doméstico, o marido quase sempre é muito mais pueril e piegas que a mulher. Esta só aparenta infantilidade na rua ou na exibição social, para se fazer inocente e cândida, porque assim dela exige o público; e aquele, para o efeito contrário, é aí