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uma heroína de abnegação e bondade, como pode fazer o mais perverso dos facínoras. Dele tudo depende, porque nela é ele quem manda, ele é o senhor e governa.

As romanas antigas, talvez se divertissem menos, porém deviam ser muito mais felizes no interior do lar do que as nossas esposas modernas; e eram mais felizes porque eram mais mulher, e os seus homens eram mais homens.

Ao inverso do que sucede no comum dos casamentos de pura conveniência burguesa, a mulher mais ama o seu amante quanto mais este avulta e cresce no conceito público, por conseguinte mais o ama quanto mais ela diminui ao lado dele, até reduzir-se às ínfimas proporções de simples fêmea amorosa. E só então é verdadeiramente feliz no amor.

Isto, já se vê, só se pode dar no caso do amante e nunca do esposo, porque é justamente da prática do oposto desse fato que nasce o invencível desconcerto entre os casados e o fatal desequilíbrio da vida conjugal. É que a mulher casada quer, geralmente, emparelhar com o marido e apanhá-lo nas regalias da consideração pública e na glória das