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escolhos, para chegar até a mim e depor a meus pés o seu coração de poeta enamorado e a sua gloriosa espada de cavalheiro.

Não, e acho que essas donzelas, que sonham assim torto, são verdadeiras aleijadas do coração, deformidade conseqüente de uma moléstia que grassava muito quando eu tinha dezoito anos — a infecção romântica, com caráter pernicioso e acompanhada de crises agudas de delírio e perturbações cerebrais. O que eu via no casamento, graças a Deus o digo, em boa consciência e com orgulho do meu bom senso, era o legítimo direito de uma felicidade natural e honesta. Sonhava um noivo razoável e verossímil; sonhava um rapaz de gravata e fraque, sadio, inteligente, ativo, honrado e bem parecido.

Era ainda sonhar muito, mas, apesar disso, encontrei o ideal dos meus sonhos.

Quando encarei com Virgílio pela primeira vez, meu coração disse-me baixinho: "Ei-lo aí está, o invasor! Prepara-te, pobre fortaleza, que vais ser tomada de assalto e conquistada!" Rendi-me logo ao primeiro ataque — o seu primeiro olhar venceu-me. Não sei o que me segredou estar ali naquele moço, tão sério e tão amável,