E, para mostrar que sabia muito bem, a Virgínia continuou do lado:
– Corre junto de Montalegre e Barcelos, e entra no Atlântico formando porto em Esposende. E’ navegavel durante 12 kilómetros.
– Qual é o teu curso?
– 100 kilómetros, respondeu Paulo a mêdo, apesar de estar vendo com muita atenção o que estava escrito nas costas do seu pedacito.
– Vá lá. E’s águia, não és urso.
Era a vez de Susana. Metendo a mão no saquinho, tirou um pedaço de madeira e com uma rapidez espantosa, papagueou.
– Sou o Douro. Venho de Espanha, separo a Beira de Traz-os-Montes e Minho, banho S. João da Pesqueira, Peso da Regoa e Porto. Tenho cinco afluentes e deixo-me navegar no espaço de 165 kilómetros.
– Tens grande curso?
– 640 kilómetros.
– E’s águia, não és urso.
E assim correram o jôgo todo, chamando ursos aos que se enganavam e águias aos que diziam bem. Escusado é dizer que foi Paulo que teve o Oceano Atlântico.
Então as tolices dele amontoaram-se umas sobre as outras e as gargalhadas recrudesceram.
Quando acabasse de dizer todos os rios que nêle iam desaguar, tinha de fugir e alcançar o couto sem