Página:Negrinha- Contos (1920).pdf/28

28 NEGRINHA

pêrro; ela alli o ninho da nova raça, o paulistano, de Arthur Neiva — liga, amalgama, juxtaposição de elementos ethnicos que temperam o néo-bandeirante industrial, anti-jéca, antimodorra, vencedor da vida á moda americana.

Onde pairam os nossos Walt Whitman, que não vêem estes aspectos novos do paiz, e os não põem em cantos?

Que chronica, que poema não daria aquella casa da Esperança e do Sonho?

Por ella passaram milhares de criaturas humanas, de todos os paizes e de todas as raças, miseraveis, sujas, com o estigma das privações impresso nas faces, mas refloridas de esperança ao calor do grande sonho da America. No fundo eram heroes, porque só os heroes esperam e sonham. Emigrar: não existe fortaleza maior do que esta. Só os fortes atrevem-se a tanto. A miseria da terra natal cança-os, e elles se atiram á aventura do desconhecido, fiando na paciencia dos musculos a victoria da vida. E vencem.

Ninguem, ao vel-os na Hospedaria, promis-