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alguém. Ao contrário, parecia comparar, confrontar, escolher. Se havia garotos por junto dos quais passava rápido, após um olhar furtivo, havia também outros a cuja descoberta lhe arrepanhava as faces a mais pungente sensualidade. E então, com estes, não havia meio que não empregasse para lhes ferir a atenção. Roçava-os de leve com o braço; tocava-lhes a coxa com a bengala, como distraído; postava-se-lhes ao lado, fitando-os com o olhar seco e vítreo, persistente; soprava-lhes na nuca uma baforada de fumo, ao passar. Todo este jogo, — é de saber —, feito sempre sonsamente, com cautelas de hipócrita, com astúcias felinas, todo sabiamente intervalado com olhares perscrutadores em torno... não fosse por aí aparecer e surpreendê-lo alguém conhecido.


E, de cada vez que o jovem interpelado se afastava, aborrecido ou indiferente, o noctívago caçador de efebos lá seguia em cata de outro, cortando os grupos, atravessando a rua, numa incoerência de vertigem, não se sabia bem se tiranizado por um vício secreto, se esmagado por uma feroz melancolia.


Um bom velho de ar marcial, vermelhinho e gordo, bigode e pera negros, bateu-lhe no ombro:


— Bravo, barão!... Rente às quintas-feiras... É como eu.


— Ó coronel! — balbuciou o barão, levemente perturbado, cumprimentando, — isso é que é zelo... pelo culto das belas.


— Ai! Ai!... Com elas é que eu me quero. Já agora hei de morrer assim... A esposa, boa?


— Boa, obrigado... Não quis vir.


— Já tem bilhete? São horas.