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Quando entrou em casa, na saleta habitual dos serões, o barão proferiu, no tom frio e breve de quem se desobriga de um dever banal: — Boa noite, Vivi; — enquanto deixava cair maquinalmente um beijo nos crespos eriçados sobre a testa pequenina da baronesa, que lia com interesse Madame Bovary. Depois, logo a seguir, afundou-se pesadamente na macieza de um fauteuil.

— Boa noite... Então que tal? — retorquiu a baronesa, erguendo indolente os olhos do livro e sorrindo para o marido com uma indiferença amável.
— Uma sensaboria... Não volto lá tão cedo. Bem fizeste tu em preferir àquela palhaçada tão vista o conchego da tua casinha e a companhia leal dos teus livros.
— Ah! e então que livro, este!.... — exclamou a baronesa num profundo acento admirativo, retomando com delícia a leitura interrompida.
— Gostas?