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espiritual, sincero, íntimo, todo afabilidade e abandono.

Por isso aventurou para a baronesa, numa súplica impertinente:

— Então, não me dizes nada?... Deixa agora o livro.

Ao que ela, contrariada, sem desfitar da leitura:

— Ora, muito obrigada. Não andaste por lá sem mim, entretido até agora?... Pois deixa-me ler.
E a boca vincava-se-lhe aos cantos, muito acre, e as veiazitas da face coravam-se-lhe de roxo, ligeiramente engrossadas.

Portanto, o silêncio pesou novamente, esmagador, absoluto, na quietação implacável da saleta. Ao seu cantinho predileto, enovelada sobre a chaiselongue, a baronesa não despegava de ler. Guardava-a do ar da porta próxima que, do lado da cabeceira, dava para o quarto de toilette, um alto biombo de preço, com os seus cinco panos, de cetim preto, sobriamente bordados de aves pernaltas, gramíneas capilares e florinhas ténues, em matizes de um realce maravilhoso, em desenhos da mais solta e delicada fantasia. Do lado da cauda, a chaise-longue entestava com uma parede toda lisa, no sentido do comprimento da casa, tendo um grande espelho doirado ao centro; distribuídos em volta, na mais harmoniosa das desordens, quadros, suspensões, bugigangas, velhas porcelanas; encostadas, duas estantes com livros; e, em ângulo contra o extremo oposto, um piano de cauda sobre um estrado. Era uma parede interior.

Seguia-se-lhe outra mais pequena, adornada também