Página:O cortiço.djvu/110



Agora, no sobrado do Miranda é que era o maior barulho. Saia de lá uma terrível gritaria de hipes e hurras, virgulada pelo desarrolhar de garrafas de champanha.

— Como eles atacam!... observou Alexandre, já de novo sem farda.

— E, no entanto, reprovam que a gente coma o que é seu com um pouco mais de alegria! comentou a Rita. Uma súcia!

Falou-se então largamente a respeito da família do Miranda, principalmente de Dona Estela e do Henrique. A Leocádia afiançou que, numa ocasião, espiando por cima do muro, trepada num montão de garrafas vazias que havia no pátio do cortiço, vira a sirigaita com a cara agarrada à do estudante, aos beijos e aos abraços, que era obra; e assim que os dois deram fé que ela os espreitava, deitaram a fugir que nem cães apedrejados.

A Augusta Carne-Mole benzeu-se, com uma invocação à Virgem Santíssima, e o companheiro do amigo da das Dores, que insistia no seu namoro com a Nenen, mostrou-se muito admirado com a noticia, "supunha Dona Estela um modelo de seriedade".

— Qual! negou Alexandre. Isso por ai é tudo uma pouca-vergonha, que faz descrer um homem de si mesmo! Eu também já vi de uma feita bem boas coisas pela sombra dela na parede; mas não era com o estudante, era com um sujeito que lá ia às vezes, um barbado, careca e comido de bexigas. E a pequena vai pelo mesmo conseguinte...

Esta novidade produziu grande surpresa no grupo inteiro. Quiseram os pormenores e o Alexandre não se fez de rogado: o