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durante o dia, que não parasse à porta um instante, para perguntar-lhe pela "saudinha". O fato de haver a mulata lhe oferecido o remédio, quando ele esteve incomodado, foi pretexto para lhe fazer presentes amáveis; pôr os seus préstimos à disposição dela e obsequiá-la em extremo todas as vezes que a visitava. Tinha sempre qualquer coisa para saber da sua boca, a respeito da Leocádia, por exemplo; pois, desde que a Rita se arvorara em protetora da mulher do ferreiro, Jerônimo afetava grande interesse pela "pobrezinha de Cristo".

— Fez bem, Nhá Rita, fez bem!... A se’ora mostrou com isso que tem bom coração...

— Ah, meu amigo, neste mundo hoje por mim, amanha por ti!...

Rita havia aboletado a amiga, a princípio em casa de umas engomadeiras do Catete, muito suas camaradas, depois passou-a para uma família, a quem Leocádia se alagou como ama-seca; e agora sabia que ela acabava de descobrir um bom arranjo num colégio de meninas.

— Muito bem! muito bem! aplaudia Jerônimo.

— Ora, o quê! O mundo é largo! sentenciou a baiana. Há lugar pro gordo e há lugar pro magro! Bem tolo é quem se mata!

Em uma das vezes em que o cavouqueiro perguntou-lhe, como de costume, pela pobrezinha de Cristo, a mulata disse que Leocádia estava grávida.

— Grávida? mas então não é do marido!...

— Pode bem ser que sim. Barriga de quatro meses...

— Ah! mas ela não foi há mais tempo do que isso?...