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se na dança, como quem não quer a coisa! Que acham?

— Perfeito! aplaudiu Jerônimo, e gritou para dentro: — Olha mais um martelo de parati!

Em seguida enterrou a mão no bolso da calça e sacou um rolo grosso de notas.

— Podem enxugar à vontade! disse. Aqui ainda há muito com quê!

E, ordenando as notas, separou oitenta mil-réis, em cédulas de vinte.

— Isto é o do ajuste! Este é sagrado! acrescentou, guardando-as na algibeira do lado esquerdo.

Depois separou ainda vinte mil-réis, que atirou sobre a mesa.

— Esse aí é para festejarmos a nossa vitória!

E fazendo do resto do seu dinheiro um bolo, que ele, um pouco ébrio, apertava nos dedos, agora, claros e quase descalejados, socou-o na algibeira do lado direito explicando entre dentes que ali ficava ainda bastante para o que desse e viesse, no caso de algum contratempo.

— Bravo! exclamou Zé Carlos. Isto é o que se chama fazer as coisas à fidalga! Haja contar comigo pra vida e pra morte!

O Pataca entendia que podiam tomar agora um pouco de cerveja.

— Cá por mim não quero, mas bebam-na vocês, acudiu Jerônimo.

— Preferia um trago de vinho branco, contraveio o terceiro.