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e convenceu-se de todo, notando que o miserável dava pronto sumiço a qualquer moedinha que lhe caia nas garras.

— Seria um ato de justiça! concluiu João Romão; pelo menos seria impedir que todo este pobre dinheiro apodrecesse tão barbaramente!

Ora adeus! mas sete ricos continhos quase inteiros ficavam-lhe nas unhas. "E depois, que diabo! os outros assim mesmo haviam de ir com jeito... Hoje impingiam-se dois mil-réis, amanhã cinco. Não nas compras, mas nos trocos... Por que não? Alguém reclamaria, mas muitos engoliriam a bucha... Para isso não faltavam estrangeiros e caipiras!... E demais, não era crime!... Sim! se havia nisso ladroeira, queixassem-se do governo! o governo é que era o ladrão!"

— Em todo caso, rematou ele, guardando o dinheiro bom e mau e dispondo-se a descansar; isto já serve para principiar as obras! Deixem estar, que daqui a dias eu lhes mostrarei para quanto presto!