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donde vinha agora o retinir dos alviões e das picaretas. O Miranda, de calças de brim, chapéu alto e sobrecasaca preta, passou lá fora, em caminho para o armazém, acompanhado pelo Henrique que ia para as aulas. O Alexandre, que estivera de serviço essa madrugada, entrou solene, atravessou o pátio, sem falar a ninguém, nem mesmo à mulher, e recolheu-se à casa, para dormir. Um grupo de mascates, o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andréa, armado cada qual com a sua grande caixa de bugigangas, saiu para a peregrinação de todos os dias, altercando e praguejando em italiano.

Um rapazito de paletó entrou da rua e foi perguntar à Machona pela Nhá Rita.

— A Rita Baiana? Sei cá! Faz amanhã oito dias que ela arribou!

A Leocádia explicou logo que a mulata estava com certeza de pândega com o Firmo.

— Que Firmo? interrogou Augusta.

— Aquele cabravasco que se metia às vezes ai com ela. Diz que é torneiro.

— Ela mudou-se? perguntou o pequeno.

— Não, disse a Machona; o quarto está fechado, mas a mulata tem coisas lá. Você o que queria?

— Vinha buscar uma roupa que está com ela.

— Não sei, filho, pergunta na venda ao João Romão, que talvez te possa dizer alguma coisa.

— Ali?

— Sim, pequeno, naquela porta, onde a preta do tabuleiro está vendendo! Ó diabo! olha que pisas a boneca de