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E tinha uma frase para cada um que se aproximasse. Ao ver Dona Isabel, que apareceu toda cerimoniosa na sua saia da missa e com o seu velho xale de Macau, abraçou-a e pediu-lhe uma pitada, que a senhora recusou, resmungando:

— Sai daí diabo!

— Cadê Pombinha? perguntou a mulata.

Mas, nessa ocasião, Pombinha acabava justamente de sair de casa, muito bonita e asseada com um vestido novo de cetineta. As mãos ocupadas com o livro de rezas, o lenço e a sombrinha.

— Ah! Como está chique! exclamou a Rita, meneando a cabeça. É mesmo uma flor! — e logo que Pombinha se pôs ao seu alcance, abraçou-lhe a cintura e deu-lhe um beijo. — O João Costa se não te fizer feliz como os anjos sou capaz de abrir-lhe o casco com o salto do chinelo! Juro pelos cabelos do meu homem! — E depois, tornando-se séria, perguntou muito em voz baixa a Dona Isabel: — Já veio?... ao que a velha respondeu negativamente com um desconsolado e mudo abanar de orelhas.

O circunspecto Alexandre, sem querer declinar da sua gravidade, pois que estava fardado e pronto para sair, contentou-se em fazer com a mão um cumprimento à mulata, ao qual retrucou esta com uma continência militar e uma gargalhada que o desconcertaram.

Iam fazer comentários sobre o caso, mas a Rita, voltando-se para o outro lado, gritou:

— Olha o velho Libório! Como está cada vez mais duro!... Não se entrega por nada o demônio do judeu!