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Macário tivera vontade de responder-lhe que se a religião não produzia castanhas, era Deus quem fazia os castanhais, e sem castanhais não havia castanhas. Mas o respeito que o hábito lhe dera pelo capitão Fonseca, a pessoa mais importante e de mais consideração na vila, obrigara-o, a calar-se. Mas não que as bichas pegassem. Macário não se convencia! Achava aquilo malfeito, ninguém lhe tirava da cabeça que era obra do Chico Fidêncio pois, na última correspondência para o Democrata, depois de criticar os olhos baixos e o falar suave de padre Antônio de Morais, dissera que os castanheiros estavam carregados aquele ano, e que tolo seria quem ficasse em Silves a papar missas, quando podia fazer uma fortuna com o trabalho de levantar castanhas do chão.

Padre Antônio parecia francamente descontente. A sua voz ecoava no templo vazio, e talvez desanimasse se Macário não estivesse sempre à beira dele, falando, entusiasmando-o, lembrando expedientes.