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derramando uma fonte de lágrimas que enxugava raivosamente na manga da camisa, já ativando febrilmente os preparativos, como se a obediência desesperada protestasse contra a violência que se lhe fazia. Padre Antônio cruzara os braços, não proferia palavra, não fazia um gesto, mas o seu olhar implacável seguia todos os movimentos do Macário, causava-lhe impaciências nervosas, quando o sacristão o sentia espetar-lhe a epiderme, forçando-o a levantar-se, a pôr-se em andamento, a engolir frases cheias de justa indignação, que o engasgavam e lhe teriam valido a vitória se ele as pudesse proferir claramente, se a maldita garganta não as retivesse, se a endiabrada língua não se gelasse na boca sob a ação daquele olhar dominador, que o abatia como a uma criança medrosa. No meio dos arranjos, quando tudo parecia pronto, o sacristão sentiu voltar a liberdade da fala e dos lábios lhe saiu como um protesto solene:

- Saberá V. Rev.ma que havemos de remar com as mãos.