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Só tinha um pesar. Era o de ter quase desesperado com aqueles pequenos incômodos que nada eram em comparação com os incríveis sofrimentos suportados pelos santos do cristianismo. Naquele mesmo dia treze de agosto, cuja noite tranqüila padre Antônio atravessava à margem do Canumã, celebrava a Igreja de Roma a morte gloriosa de S. Cassiano, martirizado pelos ponteiros de seus próprios discípulos. E como pretender a palma do martírio um padre que nem sabia sofrer ferroadas de carapanãs?

A ação forte e dominadora duma fé ardente absorvera a vitalidade física de padre Antônio de Morais, causando-lhe um torpor profundo, mergulhando-o numa abstração completa. A recordação do martírio sobre-humano dos santos excitara no seu cérebro a sensação correspondente, que o sofrimento físico avivava, reagindo sobre a imaginação. Esquecera o presente. Via-se entre os mundurucus a pregar o Evangelho, a reduzi-los à civilização e à fé do catolicismo.