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Fora bem reles a existência até aquela data - a data da carta - digna de ser marcada com uma pedra branca, como se marcam os dias felizes da vida, segundo ouvira ao professor Aníbal ao jantar de casamento do infeliz Joaquim Feliciano. Pai não conhecera, fora-lhe mãe uma lavadeira, tristemente ligada a um sargento do corpo policial de Manaus, desordeiro e bêbado. Macário crescera entre os repelões da mãe e as sovas formidáveis com que o mimoseava o sargento para se vingar do marinheiro da taverna, farto de lhe fiar a pinga. Poucas vezes conseguira satisfazer a fome, senão graças à generosidade de algum freguês em cuja casa entrava a serviço de condução da roupa lavada; porque na casinha da lavadeira o pirarucu era pouco e mau, a farinha rara, os frutos luxo dos ricos, o pão extravagância de fidalgos de apetite gasto ou de doutores barrigudos e vadios. O estômago do rapaz era exigente, afeiçoara-se facilmente às gulodices das casas abastadas, onde entrava de cesto à cabeça,