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ILLUSÃO

Sinistro como um funebre segredo
Passa o vento do Norte murmurando
      Nos densos pinheiraes;
A noite é fria e triste; solitario
Atravesso a cavallo a selva escura
      Entre sombras fataes.

Á medida que avanço, os pensamentos
Borbulham-me no cerebro, ferventes,
      Como as ondas do mar,
E me arrastam comsigo, allucinado,
Á casa da formosa creatura
      De meu doudo scismar.

Latem os cães; as portas se franqueiam
Rangendo sobre os quicios; os criados
      Acordam pressurosos;
Subo ligeiro a longa escadaria,
Fazendo retinir minhas esporas
      Sobre os degraus lustrosos.

No seu vasto salão illuminado,
Suavemente repousando o seio
      Entre sêdas e flôres,
Toda de branco, engrinaldada a fronte,
Ela me espera, a linda soberana
      De meus santos amores.