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LIMA BARRETO

ferente da usual, outra essa que consideram como sendo a verdadeira, a lidima, justificando isso por ter feição antiga de dous seculos ou tres.

Quanto mais incomprehensivel é ella, mais admirado é o escriptor que a escreve, por todos que não lhe entenderam o escripto.

Lembrei-me, porém, que as minhas noticias d’aquella distante republica não seriam completas, se não désse algumas informações sobre as suas letras; e resolvi vencer a hesitação immediatamente, como agora venço.

A Bruzundanga não podia deixar de tel-as, pois todo o povo, tribo, claro, todo o agrgegado humano, emfim, tem a sua literatura e o estudo dessas literaturas muito tem contribuido para nós nos conhecermos a nós mesmos, melhor nos comprehendermos e mais perfeitamente nos ligarmos em sociedade, em humanidade, afinal.

Seria uma falha minha nada dizer eu sobre as bellas letras da Bruzundanga que as tem como todos os paizes, a não ser o nosso que, conforme sentenciou a «Gazeta de Noticias», não merece tel-as, pois o literato não tem funcção social na nossa sociedade, provocando tal opinião o protesto de um sociologo inesperado. Devem estar lembrados deste episodio — creio eu. Continuemos, porém, na Bruzundanga.

Nella, ha a literatura oral e popular de canticos, hymnos, modinhas, fabulas, etc.; mas todo esse folk-lore não tem sido colligido e escripto, de modo que, delle, pouco lhes posso communicar.

Porém, um conto popular que me foi narrado com todo o sabôr da ingenuidade e dos modismos peculiares ao povo, posso reproduzir aqui, embora a reproducção