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INVOCAÇÃO


O’ tu, que ora nos tergos da montanha
Nas azas do Aquilão passas rugindo,
E pelos céos entre bulcões sombrios
Da tempestade o plúmbeo carro guias,
Ora suspiras na mudez das sombras
Manso agitando as invisiveis plumas,
E ora reclinado em nuvem rosea,
Que a briza embala no ouro do horizonte,
Expandes no ether vagas harmonias,
Voz do deserto, espirito melodico
Que as cordas vibras d’essa lyra immensa,
Onde resoão mysticos hosannas,
Que inteira a creação a Deos exalça;