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SONETOS

O INCONSCIENTE

O espectro familiar que anda comigo,
Sem que podesse ainda ver-lhe o rosto,
Que umas vezes encaro com desgosto
E outras muitas ancioso espreito e sigo,

É um espectro mudo, grave, antigo,
Que parece a conversas mal disposto...
Ante esse vulto ascetico e composto
Mil vezes abro a bôca... e nada digo.

Só uma vez ousei interrogal-o:
— «Quem és (lhe perguntei com grande abalo),
Fantasma a quem odeio e a quem amo?

— Teus irmãos (respondeu), os vãos humanos,
Chamam-me Deus, ha mais de dez mil annos...
Mas eu por mim não sei como me chamo...