E agora, demudada, macilenta e abatida pelos sofrimentos de tantos anos, era a duvidosa sombra da formosa donzela de outros tempos.

Esta separação forçada era contudo a maior dor que a havia torturado; porque um funesto pressentimento dizia-lhe que seria eterna!

E essa dor debuxava-se muda, porém viva e profunda, em seu rosto macilento e cheio de rugas.

Minha pobre mãe!...

E ao lado desse retrato estava outro – era o de meu pai. Sessenta anos de existência não lhe haviam alterado as feições secas e austeras, só o tempo começava a alvejar-lhe os cabelos, outrora negros como a noite.

Enquanto retraçava na mente agitada os desgostos de minha aflita mãe, entrou seu esposo. Notou-lhe o abatimento, viu as lágrimas de Adelaide, e seu rosto de leve se contraiu.

Tomei-lhe a mãe e beijei-a: e ele voltando-se para a inconsolável esposa, com severa inflexão de voz, e com aspecto colérico, perguntou-lhe:

— Senhora! Quando deixareis partir vosso filho? Por toda a resposta, só lhe ouvi um gemido de profundo desânimo.

— Meu pai!... – exclamei sentido.

— Oh! Meu filho – tornou-me ele com aquele sorriso, que lhe é particular – é necessário que nem sempre se atenda às lágrimas das mulheres; porque é o seu choro tão tocante, que apesar nosso comove-nos, e a honra, e o dever condenam a nossa comoção, e chamam-lhe – fraqueza.

— Pois bem, meu pai, na hora em que saio a cumprir a vossa vontade, permiti que vos recomende zeloso o tesouro de minha futura felicidade, e a mãe desvelada, que minha alma adora.