Procura-se um padre

A vinda de Luiz LuíseEditar

Depois do “seqüestro” de padre Antônio, seis anos para “roubar” padre LuizEditar

Batalhas políticas para conseguir um padre na década de 50

É muito justo que Florêncio Galafassi seja lembrado pelo fornecimento de madeiras ao primeiro hospital, ao Tuiuti Esporte Clube e às primeiras escolas municipais, mas não há como deixar de reconhecer sua contribuição fundamental ao desenvolvimento da Igreja Católica em Cascavel. Até mesmo a família acredita que foi sobretudo na conquista e instalação da primeira comunidade católica de Cascavel que seu trabalho se sobressaiu. Os primeiros párocos, devido às dificuldades de hospedagem na década de 40 e início dos anos 50, residiam junto à família Galafassi, recebendo um tratamento exemplar.

Monsenhor Guilherme Maria Thiletzek havia começado a estruturar a Igreja no Oeste do Paraná na década de 20, quando travou contato com a comunidade da futura Cascavel. Na década de 30, Tio Jeca Silvério determinou a construção da primeira capela religiosa, que nos dias úteis era usada como escolinha. As orações eram feitas pelos crentes, pois não havia nenhum padre a não ser em Guarapuava e a prelazia de Foz do Iguaçu.

A capelinha da Encruzilhada de Cascavel foi preparada em 1934 para receber a visita do prelado de Foz do Iguaçu, monsenhor Guilherme Maria Thiletzek, que vinha à vila a cada seis meses.

“O religioso abnegadamente realiza penosas viagens a cavalo até o povoado de Encruzilhada. (…) É monsenhor Guilherme quem, em 1934, no início real das atividades da capelinha, consagra o povoado de Encruzilhada a Nossa Senhora Aparecida e batiza a vila como Aparecida dos Portos. No caso, os portos são os do rio Paraná, aos quais demandam praticamente todas as trilhas que partem da Encruzilhada” (Carlos e Alceu A. Sperança, Pequena História de Cascavel e do Oeste).

No ano seguinte a Prelazia de Foz se mudou para Laranjeiras do Sul e em 1937 monsenhor Guilherme morreu, entrando em seu lugar o prelado Manoel Koenner, que foi perseguido sob a acusação injusta de ser nazista e apoiar inimigos do Brasil. Essa perseguição dificultou ainda mais a presença de religiosos na vila de Cascavel. Até a vinda de Florêncio Galafassi, os padres que se aventuravam a vir a Cascavel sofriam padecimentos enormes, mas no final da década de 40 eles já dispunham de um automóvel e de confortáveis acomodações na residência dos Galafassi.

Em 1946, dois anos antes da vinda de Galafassi, quando Toledo começou sua vila, o padre Antônio Patuy rezava missa em Cascavel quando emissários da colonizadora Maripá “seqüestraram” o padre e o levaram para Toledo, onde uma calorosa recepção determinou a fixação de padre Patuy no local. E Cascavel ficou sem padre. Com a vinda de Galafassi, os padres começaram a ficar hospedados em sua residência, mas só em 1952 o primeiro vigário de Cascavel, padre Luiz Luíse, viria para se fixar na cidade, por insistência de Galafassi e d. Emília. Aliás, foi o segundo “seqüestro” de padre, pois Luiz Luíse havia sido designado inicialmente para atender a comunidade de Matelândia, mas d. Manoel determinou que ele viesse para Cascavel, vila que embora tenha sido iniciada em 1930 jamais tivera um religioso morador do local para prestar assistência religiosa à comunidade.

Florêncio Galafassi, além de doar terrenos para a construção do Colégio Santa Maria, cedeu madeiras às construções do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora e de escolas e capelas religiosas no interior. Morreu a 7 de abril de 1976, no Hospital Evangélico, em Curitiba, sendo sepultado em Cascavel. Em sua homenagem se inaugurou em 14 de novembro de 1977 a Praça do Migrante Florêncio Galafassi, situada no local onde o pioneiro desembarcara pela primeira vez na cidade que ajudou a construir.

(Fonte: Alceu A. Sperança, jornal O Paraná, seção dominical Máquina do Tempo)