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Recordação sinistra
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Tens de arrastar silenciosamente
Por toda vida a lúgubre agonia,
E esconder a ti mesma, e a toda gente,
Da garra a mancha desse triste dia.

Numa insídia aleijaram-te a alegria...
Ri-te um sarcasmo essa visão dolente:
E mal tu pensas ir ficar contente,
Tange a hora fatal, que então tangia.

O sol ao mal as almas encadeia...
De venenosos pólens se enche a esfera,
A cada passo canta uma sereia;

E é quando mais recende a primavera,
E é quando a brisa matinal gorjeia
Que o nosso coração tem fome e é fera.