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Saudade
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


  Ao Desterro

Ilha gentil do Sul, filha misteriosa
De uma verde Anfitrite e voluptuoso poeta,
Que ampla saudade morde aqui minha alma inquieta,
Terra, em que o sol à fronte abre como uma rosa.
 
Dera-me um deus beijá-la, — assim como a queixosa
Onda, em que anda a estuar uma paixão secreta,
A oscula e agarra, e põe-lhe em curva graciosa
O anel de oiro e esmeralda ao cinto, que a completa.
 
Mãe, trouxeste ao nascer os ombros nus de Vênus,
E a concha onde só cabem teus dois pés pequenos;
Quando teu filho, em longo exílio abandonado,
 
Deusa, ninguém lembrar que foi teu filho, ainda
Terás dos Imortais a juventude infinda,
E o vasto amor do Oceano hirto, e jamais saciado...