Se d'entre as lidas do enredado foro,
Que das Musas louçãs desdenha o mimo,
Do fértil monte ao sempre verde cimo
Vás inda alguma vez, Jardim sonoro.
Se do metro suave o som canoro,
A cujo encanto o gasto alento animo,
Inda sabe em teu seio achar arrimo,
E a Lyra adoras, bem como eu a adoro;
Acolhe brandamente em teu recinto
A escassa produção com que à luz saio,(…)
De mim só fala, lê-lo sem desmaio
Porque eu fiz por tratar do mal que sinto,
Sem me queixar de quem me forja o raio.
Poema enviado ao Dr. Luis António Jardim relatando a sua prisão no Aljube do Funchal.