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Se sois hum sol, meu Infante

Se ſois hum ſol, meu Infante
Vilancete publicado em Villancicos que se cantaram na See do Illustrissimo Senhor Dom Joam de Mello Bispo Conde Nas Matinas, & festas dos Reyes de 1691 (como Villancico III).


Romance.

Se ſois hum ſol, meu Infante.
Que ao meſmo ſol luzes dais,
Não dilateis o nacer,
Que o ſol naõ ſabe parar.

Se ſois amor ſoberano,
Correi, Menino, & voay,
Que das penas, & das azas
O voar he natural.

Se ſois a fonte da graça
As correntes deſatay,
Que naõ prende a fria neve,
Eſte abraſado chriſtal.

Mas ſe como ſol naceis
Olhai meu amor, olhai,
Que muito perto do oriente
O ocaſo haveis de encontrar

Se de amor voais com as azas
Bello Infante, reparay,
Que as meſmas azas, das penas
Se coſtumão fabricar.

Eſſe correis como fonte,
Que amor como ao mar ſe vay,
Vede que o rizo ao nacer
Sempre he choro no acabar.

Vinde, & fazei a vontade
Pois vos manda voſſo pay,
Que inda que heis de obedecer
Temo vos andeaçoutar.

Eſtribillo.

Andai meu Menino andai
Que vos manda voſſo Pay.

Coplas.

Hora andai meu menino
Naõ vos detenhais,
Que da gloria ſem penas
Bem podeis voar

Vinde meu pequenino,
As nuves raſgai,
Que hum ſol de tantos rayos,
Mais pode raſgar.

Se vindes como orvalho,
Vinde, vinde, ya,
Que ardemos no dezejo
De vos ver chegar.

Se he que naceis cupido,
As flexas deixai,
Que eſſes olhos ſaõ flexas,
Naõ heis miſter mais.

Eſtribillo.

Andai meu Menino andai
Que vos manda voſſo Pay.